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Um edifício sem tijolo no Centro de Santa Cruz

Um edifício sem tijolo no Centro de Santa Cruz


Um edifício sem tijolo no Centro de Santa Cruz

Em meio ao período de expansão imobiliária que atravessa Santa Cruz do Sul, a construção de um edifício de 14 andares em pleno Centro poderia passar despercebida não fosse um detalhe: não há tijolos na obra. Do primeiro ao último pavimento, o prédio em estilo neoclássico que toma forma na esquina da Avenida do Imigrante com a Rua Guilherme Hackbart, com salas comerciais no térreo e apartamentos voltados para a classe média, será todo erguido com o uso de concreto celular.

Comum na Europa e utilizado no Brasil há dez anos, porém de forma muito tímida, o produto está sendo pesquisado, adaptado e aplicado pela Kopp, de Vera Cruz, que atua nas áreas de tecnologia e construção civil. Proprietário da empresa e principal incentivador do uso do concreto celular, assunto que vem estudando há 15 anos, Eliseu Kopp salienta que a tecnologia é ecologicamente correta. “Ela dispensa o uso de tijolos e madeirame, agiliza a obra, torna o acabamento mais prático e ainda garante maior conforto térmico e acústico ao imóvel depois de pronto”, destacou, assegurando que o custo fica dentro da média de uma construção tradicional.

Feito a partir de areia comum e cimento, o concreto celular toma forma na obra. A própria empresa desenvolveu a concreteira, equipamento responsável pela transformação. Aos ingredientes tradicionais é acrescido o espumígeno, produto biodegradável importado da Itália que tem entre seus componentes chifres e patas de bovinos. Semelhante a um xarope concentrado, cada litro de espumígeno gera aproximadamente 500 litros de uma espuma densa, semelhante à dos cremes de barbear.

MAIS RESISTENTE

Misturada ao cimento, a espuma é o que acaba dando origem ao concreto celular. Também conhecido como concreto de densidade controlada, é mais leve e tem alta resistência. A dosagem é feita de acordo com a quantidade de matéria-prima utilizada. Depois de pronto o concreto fica aerado, ou seja, com pequenas bolhas de ar. Segundo Kopp, apresenta resistência de 400 quilos por centímetro quadrado, enquanto o tijolo maciço com argamassa tem resistência de 100 quilos por centímetro quadrado e, o tijolo de seis furos, de até três quilos por centímetro quadrado.

Depois de pronto, o concreto celular é aplicado por meio de fôrmas. A obra é limpa e avança rapidamente. “Pelo sistema convencional de construção seria praticamente impossível dar ao prédio todos os detalhes do estilo neoclássico que ele terá. Com o uso do concreto celular nos valemos de fôrmas com o desenho e o estilo que o projeto exigir”, destacou Kopp, revelando que seu objetivo a partir do edifício do Centro de Santa Cruz é contribuir para a difusão da tecnologia. “É preciso avançar. Hoje se ergue uma parede do mesmo jeito que se erguia há cem anos. É como se, comparando com o automobilismo, estivéssemos ainda na época dos carros artesanais”, disse.


A meta de Kopp é ousada. Cada prédio que ele erguer com o uso de concreto celular terá que dar origem a pelo menos outros dois. Para isso, a empresa investe na qualificação da mão de obra. Operários preparados fazem a diferença. “A tecnologia exige qualificação contínua. Dá mais segurança e conforto a quem trabalha na obra”, salienta. O resultado, garante, é mais qualidade de vida tanto para quem trabalha na construção quanto para quem irá morar no imóvel.

Saiba mais
Para erguer um edifício com o uso da nova tecnologia, a Kopp precisou inclusive ter seu espaço físico ampliado. Embora o concreto celular seja feito na obra, é da empresa que saem os moldes e fôrmas. Junto funcionam também o setor de desenvolvimento de projetos, onde trabalham os engenheiros, e uma espécie de laboratório que tenta aprimorar a tecnologia. Veja como funciona:
1 Desenvolvidas no computador, as matrizes são feitas em MDF ou E.V.A. em equipamentos de alta precisão.

2 De formas e tamanhos variáveis, os moldes (como os das marquises, por exemplo) são feitos em um sistema que lembra o da fabricação de móveis.
3 Prontos, são levados para a obra em um caminhão equipado com guincho ou então dando origem às peças de concreto celular na própria empresa.
4 Para fazer o material é utilizada areia, concreto, espumígeno e aditivos. A mistura é feita em uma concreteira, que recebe os materiais dosados por computador de acordo com a necessidade.
5 Como saem semiacabadas, as peças acabam exigindo um trabalho menor de finalização. Enquanto uma parede de alvenaria precisa ser rebocada, por exemplo, neste caso basta um retoque com massa corrida para que esteja pronta para a pintura.
6 Assim como marquises e adornos, paredes e vigas também são feitas com o uso de fôrmas. O concreto celular é injetado dentro delas, já com as tubulações de água e esperas para luz e telefone. Assim, se elimina o trabalho de erguer uma parede e depois ter que voltar e quebrá-la para a instalação de canos e canaletas. É uma etapa a menos na construção.

02/05/2009 - 19:01 | Da equipe Portal Via.

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